Mulheres, trabalho e rendimento
O valor do trabalho invisível.
Durante séculos, a renda foi também uma atividade económica. Executada nas casas e, mais tarde, em ateliers que recebiam encomendas e organizavam a venda, constituiu uma fonte de rendimento para muitas mulheres e famílias.
A partir do século XX, a transformação dos hábitos de consumo, da moda, da economia e das ocupações femininas reduziu a procura. O encerramento do último atelier, a Casa Flores Torres, em 1975, marcou o fim de um modelo de produção e comercialização que teve importância na vida local.
Rendilheiras estimadas em Vila do Conde e Azurara, aproximadamente um terço das mulheres das duas freguesias.
Rendilheiras referenciadas num inquérito à indústria das rendas.
Rendilheiras identificadas em levantamento municipal, revelando a contração da atividade.
Marcos retirados de fontes e levantamentos diferentes. Não constituem uma série estatística homogénea e não permitem calcular, diretamente, a evolução anual do emprego.
Inquérito 2025–2026 · 160 respostas
O significado económico de fazer renda, hoje.
O inquérito de caracterização sociodemográfica realizado no âmbito da Operação INPCI reuniu 160 respostas. Para a maioria das pessoas inquiridas, a prática já não constitui uma profissão remunerada; para outras, continua a ser uma forma de trabalho e de rendimento.
Relação económica explícita
13 indicaram rendimento complementar e 4 identificaram a renda como profissão principal.
Venda ou exposição de peças
Incluindo encomendas particulares, feiras, associações, lojas e canais digitais.
Transmissão do saber
Disseram ensinar ou já ter ensinado outras pessoas a fazer renda.
Universo: 160 respondentes do inquérito 2025–2026. Trata-se de uma amostra de respondentes, não de um recenseamento exaustivo das rendilheiras do concelho.
Sociedade e transmissão
Um trabalho que também constrói comunidade.
A renda é um espaço de convívio, aprendizagem, autonomia e reconhecimento. O inquérito mostra a importância atribuída à preservação da prática: 160 em 160 respondentes consideraram importante manter a tradição das Rendas de Bilros de Vila do Conde.
A dimensão social manifesta-se nas relações entre mestras e aprendizes, nas oficinas, na Escola de Rendas, nas demonstrações públicas e nos encontros intergeracionais. No ano letivo de 2025/26, a AEC “Rendas de Bilros” abrangeu 172 crianças em seis escolas, contribuindo para alargar a participação.
Certificação e mercado
Qualidade, criação e novos circuitos.
A certificação das Rendas de Bilros de Vila do Conde procura reconhecer a identidade do produto artesanal e preservar os seus parâmetros técnicos e de qualidade. A continuidade económica relaciona-se também com encomendas, feiras, comércio especializado, novas aplicações no vestuário e no design.
Valorizar o tempo e o saber
Cada peça de renda reúne tempo de execução, domínio técnico e criatividade. Valorizar este trabalho significa reconhecer o conhecimento das rendilheiras e criar oportunidades para a sua divulgação, comercialização e transmissão.
Museu, visitantes e projeção pública
O património também se encontra com o público.
O Museu das Rendas de Bilros e a Feira Nacional de Artesanato contribuem para divulgar a técnica e para aproximar o público das rendilheiras. A demonstração ao vivo torna visível o tempo e o conhecimento envolvidos em cada peça.
Visitantes do Museu das Rendas de Bilros de novembro de 2025 a setembro de 2026.
Visitantes registados no Dia da Rendilheira, em 2 de agosto de 2026, durante a Feira Nacional de Artesanato.
Indicadores de fruição cultural, não uma estimativa de receitas, de turistas exclusivos das rendas ou de impacto total na hotelaria, restauração e emprego. Os períodos e contextos de contagem são distintos.
