Mulheres, trabalho e rendimento

O valor do trabalho invisível.

Durante séculos, a renda foi também uma atividade económica. Executada nas casas e, mais tarde, em ateliers que recebiam encomendas e organizavam a venda, constituiu uma fonte de rendimento para muitas mulheres e famílias.

A partir do século XX, a transformação dos hábitos de consumo, da moda, da economia e das ocupações femininas reduziu a procura. O encerramento do último atelier, a Casa Flores Torres, em 1975, marcou o fim de um modelo de produção e comercialização que teve importância na vida local.

1881c. 1200

Rendilheiras estimadas em Vila do Conde e Azurara, aproximadamente um terço das mulheres das duas freguesias.

1942c. 500

Rendilheiras referenciadas num inquérito à indústria das rendas.

197997

Rendilheiras identificadas em levantamento municipal, revelando a contração da atividade.

Marcos retirados de fontes e levantamentos diferentes. Não constituem uma série estatística homogénea e não permitem calcular, diretamente, a evolução anual do emprego.

Inquérito 2025–2026 · 160 respostas

O significado económico de fazer renda, hoje.

O inquérito de caracterização sociodemográfica realizado no âmbito da Operação INPCI reuniu 160 respostas. Para a maioria das pessoas inquiridas, a prática já não constitui uma profissão remunerada; para outras, continua a ser uma forma de trabalho e de rendimento.

17/160

Relação económica explícita

13 indicaram rendimento complementar e 4 identificaram a renda como profissão principal.

10,6% das respostas
32/160

Venda ou exposição de peças

Incluindo encomendas particulares, feiras, associações, lojas e canais digitais.

20% das respostas
83/160

Transmissão do saber

Disseram ensinar ou já ter ensinado outras pessoas a fazer renda.

51,9% das respostas

Universo: 160 respondentes do inquérito 2025–2026. Trata-se de uma amostra de respondentes, não de um recenseamento exaustivo das rendilheiras do concelho.

Sociedade e transmissão

Um trabalho que também constrói comunidade.

A renda é um espaço de convívio, aprendizagem, autonomia e reconhecimento. O inquérito mostra a importância atribuída à preservação da prática: 160 em 160 respondentes consideraram importante manter a tradição das Rendas de Bilros de Vila do Conde.

A dimensão social manifesta-se nas relações entre mestras e aprendizes, nas oficinas, na Escola de Rendas, nas demonstrações públicas e nos encontros intergeracionais. No ano letivo de 2025/26, a AEC “Rendas de Bilros” abrangeu 172 crianças em seis escolas, contribuindo para alargar a participação.

Certificação e mercado

Qualidade, criação e novos circuitos.

A certificação das Rendas de Bilros de Vila do Conde procura reconhecer a identidade do produto artesanal e preservar os seus parâmetros técnicos e de qualidade. A continuidade económica relaciona-se também com encomendas, feiras, comércio especializado, novas aplicações no vestuário e no design.

Valorizar o tempo e o saber

Cada peça de renda reúne tempo de execução, domínio técnico e criatividade. Valorizar este trabalho significa reconhecer o conhecimento das rendilheiras e criar oportunidades para a sua divulgação, comercialização e transmissão.

Museu, visitantes e projeção pública

O património também se encontra com o público.

O Museu das Rendas de Bilros e a Feira Nacional de Artesanato contribuem para divulgar a técnica e para aproximar o público das rendilheiras. A demonstração ao vivo torna visível o tempo e o conhecimento envolvidos em cada peça.

4 821

Visitantes do Museu das Rendas de Bilros de novembro de 2025 a setembro de 2026.

19 636

Visitantes registados no Dia da Rendilheira, em 2 de agosto de 2026, durante a Feira Nacional de Artesanato.

Indicadores de fruição cultural, não uma estimativa de receitas, de turistas exclusivos das rendas ou de impacto total na hotelaria, restauração e emprego. Os períodos e contextos de contagem são distintos.